Publicidade & Malandragem

8.10.11 0 Comentários A+ a-

Segue uma reflexão sobre publicidade feita por um dos nossos parceiros do site VAZARI.


"Recentemente vi um comercial na televisão da principal operadora de telefonia celular do Brasil. Duas coisas me chamaram a atenção de cara:
1) como esse anúncio televisivo, à semelhança de tantos outros do país, faz uma apologia à ‘malandragem’ brasileira; e

2) como a mensagem de mau-caratismo transmitido por ele é um retrato fiel dessa empresa – notória por sua falta de ética e seu desrespeito para com seus clientes. Este colunista fala com conhecimento de causa, pode acreditar.

Mas, passando para o primeiro tema, o que quero tratar e menos desagradável do que a falta de ética dessa operadora, é interessante (ou desconcertante) como o anúncio vangloria um rapaz que usa os serviços da tal empresa para falar com suas três namoradas – uma de cada estado.

No fim, ele esboça um sorriso maroto (OBS: para o seu próprio bem, não faça aqui uma associação com a sofrível banda de pagode com o mesmo nome). Afinal, ele é o cara, o vencedor, o perfeito anti-herói brasileiro, o Macunaíma por excelência.

Ele dá seu jeitinho de ter três namoradas ao mesmo tempo sem que nenhuma saiba da existência da outra. O outro - o que não aparece nos comerciais, e que tem só uma namorada (e que de preferência não a traia) – esse é o otário, o ‘loser’.

Tal qual o ‘mané’ que aguenta firme e forte as insuportáveis horas do nosso engarrafamento de cada dia sem protagonizar uma cena de “Um Dia de Fúria”, se recusando a cortar caminho pelo acostamento.

Parece o roteiro de 99% das propagandas de cerveja no país, as quais – reconheço – são quase sempre muito divertidas e criativas, características conhecidas da respeitada e premiada propaganda brasileira.

Mas eu pergunto: será que precisam sempre apelar para e exaltar essa malandragem já tão desgastada, para esse ‘jeitinho’ de querer tirar uma vantagem pessoal em tudo, que ao mesmo tempo é parte de nossa cultura mas que também nos faz tão mal?

Essa é a minha opinião de metrossexual não-publicitário metido (sem duplo sentido) a filósofo de botequim.

E vocês, leitores publicitários do Vazari com mais substância do que eu, o que acham?"